Como pode o movimento anarcopunk ter mais poder de fazer previsões sobre o neofascismo do que especialistas liberais?

Por Admin

PunksVsGuga

Pelo menos eu acho que o cabelo do Guga Chacra representa um niilismo estético mais sincero do que o dos punks…

Quando o capitólio em Washington, EUA, foi invadido por militantes neofascistas, neonazistas e “ancaps”, gente como Guga Chacra e seus colegas afirmaram que jamais imaginaram que tal coisa pudesse acontecer na “maior democracia do mundo”. Apesar disso, já faz uns anos que avisos sobre as ações de neonazistas e afins vêm sendo feitos, mas foram levados a sério apenas gradativamente, ou seja, poucas pessoas levaram a sério no início, mas com o passar do tempo, foi lentamente se tornando inegável. Aqueles que soaram os avisos se organizaram em blocos de autodefesa comunitária, as chamadas Antifa (antifascistas), para expulsar tal ameaça de suas vizinhanças, assim como trazê-las à tona para atrapalhar o progresso de seus planos. Esta encarnação do antifascismo tem sido mantida viva desde as últimas décadas do século XX por ativistas anarquistas e comunistas. Um de seus métodos é a tática black bloc, usada para enfrentamento nas ruas e associada à parcela mais combativa do movimento anarquista, que inclui o movimento anarcopunk. Para muitas pessoas, anarquismo e punk se tornaram sinônimos e embora isso seja um equívoco (nem todo punk é anarquista, assim como ser punk não é um requisito para ser anarquista), é inegável a importância do anarcopunk para a divulgação do anarquismo desde fins da década de 1970. Membros do movimento anarcopunk já vinham avisando há décadas do risco de uma nova ascensão do fascismo, enquanto cientistas sociais e políticos ortodoxos descartaram tal possibilidade até o dia em que se surpreenderam com tamanha presença de neofascistas em posições de poder e com as ações de seus apoiadores, incluindo a invasão do capitólio dos EUA e a tentativa de golpe de estado, sob as bençãos de Donald Trump, em janeiro deste ano. Como é possível que o movimento anarcopunk tenha mais capacidade de fazer previsões sobre o cenário político atual do que especialistas liberais?

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André Lemos está VIVO!

Por Admin

Hoje cedo, chegou a falsa notícia de que o companheiro André Lemos teria falecido. Deixo aqui a nota do movimento pela sua inocência para esclarecimentos:

André Lemos está VIVO!

Hoje, 13 de Abril de 2021, o companheiro André Lemos sofreu um ataque Hacker em sua conta no Facebook, que dizia que o mesmo havia falecido nesta madrugada.
A informação é falsa!
André Lemos está vivo e ainda sofre perseguição política do Estado!
Não se sabe a procedência do ataque, e dada as circunstâncias, não há meios de recorrer a uma investigação.
Entenda quem é André:
André Lemos é um artista, educador e ativista. O primeiro negro a vencer o prêmio Shell de teatro na categoria direção. Ele foi condenado a um ano e quinze dias de prisão por desacato à autoridade.
A condenação aconteceu porque em 2013 André lecionava teatro e musicalização na ocupação indígena da Aldeia Maracanã, o antigo museu do índio.
A Polícia Militar subordinada ao governador do Rio de Janeiro na época, Sérgio Cabral, hoje preso, agiu ilegalmente para desocupar a Aldeia Maracanã sem mandado judicial. O espaço funcionava como um projeto de universidade indígena e a empreiteira Odebrecht pretendia transformá-lo num estacionamento para a Copa do Mundo.
André foi retirado a força de um perímetro reconhecido como legítimo território indígena. Ele e algumas pessoas realizavam um protesto pacífico que consistia em permanecerem sentados nesse local. Somente André, único negro desse grupo, foi algemado, preso e autuado.
Em 2020, sete anos depois, André foi condenado anum ano e quinze dias de prisão.
No momento a defesa de André aguarda o julgamento da liminar do Habeas Corpus, que está no gabinete da Ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal.

— Fim da nota —
Clique aqui para a página da campanha

 

Sua conta foi hackeada e  acredito que tenha sido a polícia, nas expectativa de que alguém, ao desmentir a notícia, desse com a língua nos dentes e entregasse seu paradeiro (isso sou EU que estou dizendo, não a campanha pela sua inocência). André Lemos tem uma filha criança. Imaginem a menina acordando e recebendo a notícia da morte do pai, sem ele ter morrido. Pelo lado bom, óbvio, ele não morreu, então é melhor, mesmo, a notícia ser falsa. Mas é nojento. Vou continuar escrevendo sob a suposição de que foi obra da polícia, pois não encontro outra explicação.

Polícia é algo nojento! Os sujeitos são tão cruéis, tão brutalizados, que não ligam a mínima para a dor que causam à familiares, com o objetivo de pegar uma pessoa que não representa perigo para ninguém, que foi condenada por desacato numa ação em que a própria polícia estava fora da lei! Certo estava o André!

Qualquer um que já conversou com policiais e discordou deles pode atestar que o argumento preferido deles é “Você não sabe a verdade! Se você soubesse o que nós sabemos, não falaria isso”. Os policiais se julgam portadores de uma verdade que supostamente ninguém mais conhece. E que verdade seria essa? É simples. Enquanto o estado de direito diz operar sob a presunção de que todos são inocentes até que se prove o contrário, a polícia opera sob a presunção de que todos nós somos uma ameaça até que estejamos devidamente subjugados! A doutrina da segurança nacional é uma inversão, na prática, daquilo que o estado mantém apenas em teoria! E é essa a suposta verdade misteriosa que cada policial carrega dentro de si: não é verdade, nem é misteriosa! É ver um inimigo nos olhos de cada professor, de cada artista, enfim, de cada um de todos nós!

No mais, 1312!

Por que não há hoje uma revolta generalizada no Brasil?

Por Admin

O que faz com que o Brasil não tenha, hoje, uma insurreição, com um número de mortes por covid indo para a casa dos 400 mil? A brutalidade das nossas polícias pode ser apontadas como causa para isso? Por um lado, não creio, pois o resto da América Latina se insurge. Os EUA se insurgem. Myanmar se insurge. Até na China há levantes. Mas é fato que a polícia brasileira é a que mais mata no mundo em números absolutos e a nona mais letal, proporcionalmente falando. Porém acredito que se fôssemos mais dispostos à revolta generalizada, a polícia não agiria com tamanha liberdade. Buscarei em Mikhail Bakunin a possível resposta para isso.

 

Mikhail Bakunin

O sofrimento puro e simples não é suficiente para uma revolta. As pessoas podem se resignar em suas situações e morrer nela, pouco reclamando. O que faz com que elas enfrentem seus opressores é a convicção de que elas possuem certos direitos pelo simples fato de serem seres humanos vivos e que tais direitos estão sendo violados. A partir do momento que elas tomam noção de que lhes é tirado algo que não deveria ser, elas se revoltam, mas não antes. E são as pessoas que menos possuem as mais predispostas a se revoltarem, pois são as que menos tem a perder. Quanto mais o indivíduo possui materialmente, menos ele estará disposto a se arriscar.

Qual é a forma mais comum de revolta vista no Brasil? É quando a favela desce para fechar o asfalto, após um dos seus ser morto pela polícia. Nesse momento, o pobre vê que a única coisa que lhe resta, ou seja, o direito à própria vida, não é respeitado. Mas sabemos também que as populações pobres prezam muito o respeito, abominando aquilo que é popularmente chamado de “esculacho”. Por que então não há igual revolta quando a polícia dá tapa na cara de pobre ou joga a tia idosa no chão? É muito complicado responder a isso de forma meramente especulativa, mas creio que aqui, começamos a cruzar a trilhar o território da “meritocracia”, ou seja, a ideia de que certos direitos não seriam universais, mas merecidos por meio de outra coisa. Quando você nasce pobre, a medida do mérito é o esforço. Quando você nasce rico, o mérito vem de berço.

O Liberalismo que orienta nossas classes dominantes, especificamente de vertente conservadora, impede que o povo expanda a consciência de seus próprios direitos. Fomos educados desde cedo para o valor do empreendedorismo capitalista, embora não possuamos capital para empreender. Se alguém tem menos direitos do que outros, isso se daria por ela não ter empreendido, ou seja, teria sido falta de esforço individual. Vendo as coisas dessa forma, abuso e violência passam a ser entendidos como um direito que o opressor teria sobre o oprimido. O oprimido só se veria livre do abuso quando conquistasse seus direitos por meio do esforço individual. Mas enquanto isso, ele precisa batalhar para ter tal direito ao mesmo tempo que é atrapalhado pelo opressor.

Se o Liberalismo serviu, na Revolução Francesa, para abolir castas, aqui ele serve para perpetuar a lógica escravocrata dos períodos colonial e imperial. Sob a desculpa de que todos já são beneficiados pelas formalidades do estado de direito democrático, as relações de dominação se mantêm, já que não importa muita coisa se a lei diz que todos somos igual, quando a maioria das pessoas não possuem as mesmas oportunidades iniciais de uma minoria privilegiada. Mesmo que um ou outro indivíduo consiga sair da pobreza e atingir a riqueza, a ordem vigente significa que uma mesma classe de pessoas continuará existindo para trabalhar para manter os privilégios de uma mesma minoria de pessoas, pouco importando o que faça para mudar tal realidade.

A religião é outro elemento que legitima abusos. Apesar de muitos religiosos realizarem trabalhos genuinamente bem-intencionados e com resultados reais, não se pode negar o quão frequentemente o discurso religioso é usado para legitimar as relações de opressão. A salvação é tida como um troféu a ser entregue no final de uma prova de muito sofrimento. Revoltar-se contra o sofrimento é abdicar do troféu.

Trem pegando fogo

Trem pegando fogo

Mesmo com os valores capitalistas e religiosos, ainda assim o pobre se revolta, pois para operar dentro desse sistema, uma mínima condição é exigida e se tal condição não for respeitada, o trabalhador pobre se percebe como roubado, frustrado em suas expectativas mais básicas. E tal insatisfação é expressada de forma muito mais contundente do que se fosse a classe média insatisfeita. Por que o pobre é mais disposto a virar vagões de trem ou queimar ônibus quando sua ida ao trabalho é atrapalhada, se são esses justamente seus meios de transporte para o trabalho? Porque o salário de miséria que ele ganha é quase nada perto do trabalho que o patrão lhe explora. Para a classe média, é muito mais difícil destruir propriedade pública ou privada, pois quanto mais dinheiro o sujeito tem, mais ele se beneficia da infraestrutura da sociedade, da circulação de pessoas e bens que tal infraestrutura permite. Quanto mais gente abastada houver numa manifestação, maiores serão as chances de se ouvir apelos por calma e para que o patrimônio não seja danificado. Em diametral contraste, quando um aspecto da infraestrutura pública serve ao bem-estar do trabalhador pobre, como um hospital público, por exemplo, aí são os mais ricos que gostariam que tal coisa deixasse de existir e fosse substituída por um serviço privado, pago e caro, pois nossa burguesia é muito ignorante para perceber que o bem-estar das pessoas que trabalham para ela também a beneficia.

Concluo, portanto, e em total acordo com as ideias de Mikhail Bakunin, que a miséria e os abusos não bastam para que o pobre, como uma classe, se levante numa grande insurreição e que é também necessária a noção total de que todos somos merecedores de direitos simplesmente por estarmos vivos e sermos igualmente dotados de necessidades e expectativas; que a relativa passividade do brasileiro se dá por quão arraigados são os valores contrários à consciência desses direitos universais; e que os despossuídos são muito mais predispostos a essa rebelião do que aqueles que mais se beneficiam pela manutenção das coisas do jeito que elas já são. Há, porém, uma possível objeção à conclusão: grandes levantes seriam mais comuns em períodos de crescimento econômico do que nos de recessão. E se isso for verdade, seria uma contradição à ideia de que quanto mais pobres são as pessoas, maior a inclinação delas para a rebelião? Não tenho como ver se tal afirmação é verdadeira ou não, mas mesmo que seja (e eu acredito que sim: nosso último levante generalizado foi justamente num momento economicamente melhor), insisto em dizer que ela não contradiz minha conclusão. Mesmo que a sociedade como um todo se torne mais rica, ainda são os mais pobres aqueles que mais estarão disposto a se rebelar. O que ocorre nesses casos é que, com as melhores condições de vida, se espalha mais facilmente a ideia de que todos nós possuímos direitos inalienáveis e então vemos como ainda falta muito para que tais direitos sejam integralmente respeitados.

Onde estão os oponentes da propriedade privada?

Por Admin

Quando eu era criança, uma professora de história falou algo sobre Rousseau. Se bem me lembro, ela disse algo sobre como o autor considerava a propriedade privada algo errado, mas impossível de se voltar atrás nessa altura da civilização. Desde então, tenho essa imagem na cabeça do primeiro sujeito que cercou um pedaço de terra e disse que era dele. Que direito ele tinha de impedir que as pessoas plantassem ali, que bebessem da água dali? Foi assim que me tornei contrário à propriedade privada.

Hoje em dia, me sinto frustrado ao ver que pouca gente por aqui questiona a legitimidade da propriedade privada. Mesmo na dita esquerda, a coisa vai mal. Guilherme Boulos fez propaganda eleitoral dizendo que respeita o direito de uma pessoa ter vários imóveis com o objetivo de alugá-los. Marcelo Adnet, ao se declarar de esquerda, sentiu a necessidade de esclarecer o quão inócuo ele mesmo era, assegurando não querer acabar com a propriedade privada. Para mim é muito triste que toda uma geração de pessoas aceite que uma parte da sociedade possa continuar acumulando tudo de bom para si, enquanto deixa o resto passar necessidade. Da parte do cidadão médio, há o equívoco comum de que o fim da propriedade privada significa que ele perderia sua casinha. Compreensível, mas não menos um equívoco. Quem nos confere propriedade de algo é o estado. Quando alguém que faz sua casa num terreno do qual ela não é reconhecida pelo estado como proprietária, essa casa é chamada de posse. Num mundo sem propriedade privada, todos seriam posseiros. Posse é o uso que se faz de algo durante o período de tempo em que esse uso é feito. Digamos que você tenha a posse dessa casa, mas resolve se mudar para outra cidade, deixando essa casa para trás. Ela ficaria vaga e qualquer outra pessoa poderia tomar posse dela, sem deixar que ela permaneça abandonada. Hoje em dia, um proprietário que abandona seu imóvel e nem mesmo paga os respectivos impostos pode entrar na justiça para impedir que pessoas em situação de desabrigo deem uma finalidade útil a esse imóvel.

No Brasil, especulação imobiliária é muito bem aceita. Ninguém parece achar errado ou imoral tal coisa. E o que é especulação imobiliária? É comprar imóveis, na expectativa de lucrar com eles, seja através da venda ou do aluguel. Muito comumente, uma mesma pessoa, já tendo onde morar, acumula mais imóveis para cobrar aluguel de quem queira morar neles. O importante nessa situação é que a maioria das pessoas não consiga comprar sua casa própria e seja obrigada pelas circunstâncias a pagar aluguel. Uma pessoa sozinha tem várias casas e várias pessoas não têm nenhuma casa. E a pessoa que tem várias casas ganha dinheiro todo mês sem fazer nada, só porque é a proprietária das casas alugadas. O sonho de muitos pobres é comprar imóveis para alugar e viver de renda. Se olharmos as celebridades que o povo adora, perceberemos que elas geralmente fazem isso. Parece até que essa gente lutou muito na vida para comprar tais imóveis e alugá-los, mas a verdade é que a maioria das pessoas que fazem isso já nasceu com dinheiro. Se alguém nasceu com muito dinheiro, é mais provável que os pais dessa pessoa também tenham nascido ricas e assim sucessivamente. Vez ou outra, um pobre fica rico, mas as grandes fortunas passam gerações circulando através da mesma classe de gente rica.

E aqui reside o pulo do gato que a maioria das pessoas não percebe. Todas essas grandes propriedades de hoje em dia remetem ao primeiro sujeito que cercou um pedaço de terra e disse “É meu! Saiam daqui!”. Os primeiros grandes proprietários cercaram a terra, deixando o resto da população sem ter onde plantar, de onde extrair os metais, etc. Por essa circunstância, as pessoas foram obrigadas a trabalhar para os grandes proprietários. As fábricas, os edifícios, os navios e etc. de hoje em dia remetem a esses primeiros cercamentos de terra, pois é da terra que se extrai a matéria-prima para se fazer tudo. O que foi comprado posteriormente, foi com o ouro e o ferro tirado daquelas terras. E cada vez que alguém conquistava mais terras na base da força, essas terras posteriormente eram vendidas para os descendentes ricos dos velhos conquistadores. E se, mais tarde, um trabalhador pobre tenha se tornado rico, o que é menos comum do que um rico já nascer na riqueza, isso se deu de uma das duas formas: ou ele explorou desavergonhadamente os seus semelhantes, ou foi recompensado pelos mais ricos por servir aos seus interesses. Sejamos francos: dificilmente as duas coisas ocorrem separadamente.

Cada dia mais as pessoas parecem crer que podem chegar à riqueza apenas com seus próprios esforços e muito pensamento positivo. É a era do empreendedorismo. Só que, convenientemente, esqueceram de informar o povo de que mesmo entre os ricos, a falência é o destino mais comum dos novos empreendimentos. Manter um negócio de sucesso não é simplesmente questão de empenho, mas principalmente de sorte. Nada garante que um novo produto não vai encalhar nas prateleiras das lojas e é por isso que as grandes marcas investem tanto em propaganda. O objetivo delas não é criar uma coisa da qual as pessoas vão precisar, mas convencer o maior número de pessoas de que elas precisam comprar tal produto. A maioria das pessoas não possue dinheiro para investir em novos negócios sem correr o risco de passar forme caso o negócio não dê certo. E além disso, se cada um iniciasse um novo negócio, haveria uma redundância enorme de serviços: para que uma mesma sociedade precisaria de cem mil novas lojinhas, todas vendendo a mesma coisa? É óbvio que a maioria dessas lojas faliria, só sobrando meia dúzia. Então essa ideia de que cada um deve ser seu próprio patrão, dentro de uma economia de mercado, não se sustenta. O resultado de insistirmos nisso é que aumenta-se o número de atravessadores entre o produto e o consumidor, elevando artificial e desnecessariamente o custo final.

Enquanto o pobre acredita que é preciso trabalho duro para chegar à riqueza, manter a riqueza não tem nada a ver com trabalhar – pelo menos não para o proprietário da riqueza. “Não existe almoço grátis” é uma frase que os defensores do capitalismo adoram repetir, mas não deveriam. Eles querem dizer que tudo sempre tem um custo: se não é para quem almoça, é para outra pessoa. O problema não é que essa frase seja falsa, porque ela não é. O problema é que a atividade do capitalista (o grande dono de propriedades) é justamente ganhar dinheiro com o trabalho alheio. É bastante óbvio que o dono de indústrias não pega no pesado, pois quem o faz é seus operários. Mas a isso soma-se o rentismo, ou seja, a especulação no mercado financeiro. E o que é isso? É comprar ações, esperando vendê-las quando estiverem valendo mais. Quando muitos investidores se convencem de que determinada ação vai valorizar, eles passam a comprá-la e esse movimento de procura acaba justamente por valorizá-la. Então mais gente ainda passa a comprá-la, elevando ainda mais o preço, até que é melhor vendê-la antes que ela desvalorize e o investidor caia em prejuízo. É claro que tais movimentos de valorização e desvalorização podem ser provocados artificialmente e de modos bem pouco honestos. Mas então, se “não existe almoço grátis”, de onde vem esse dinheiro? Como é que uma ação passa a valer muito do nada? Simplesmente alguém diz “esse papel aqui, a partir de agora, equivale a muito dinheiro!” e as pessoas compram tal papel? Isso não é justamente dinheiro sendo feito do nada? A troco de nada? Pois é, é justamente essa a malandragem: os ricos brincam de cassino na bolsa, criando valor onde não existe, e depois você, empregado deles, rala feito condenado para preencher esse valor; do contrário toda economia entra em colapso.